domingo, 21 de junho de 2015


Você sabe o que significa esperar?
Confesse, você ainda não tem a dimensão do estado de espera. 
Você não sabe o que é aguardar, inclusive com mãos frias a chegada de alguém que não usa relógio por imprecisão. 
Você ainda não sabe que a espera é o corte vagaroso, feito no coração. 
E você espera o abraço. 
O agradecimento. 
Espera o tempo do outro. Espera o cumprimento das obrigações. 
Espera os dilemas serem resolvidos e as verdades prevalecerem. 
Espera a cartomante.
 O horóscopo. As rezas. 
O resultado das promessas. Você não imagina que é capaz de tantas esperas e sobreviver ao calafrio que elas causam. 
E você acredita e se dá conta de que precisa defender outras esperas mais doloridas. 
São as esperas que, retardadas trarão uma insuspeitada felicidade. São as esperas pelo sossego afetivo. 
Pela resposta do e-mail. Esperas para repousar no coração do outro. 
Para deixar de ocupar o lugar da superficialidade. 
Esperas por um olhar, uma piscadela de confirmação, um eterno sim. 
Você sabe que esperar muitas vezes borra os sentimentos, envelhece a alma e traz uma angústia escancarada, desejosa de sagrada confirmação. 
É. 
Esperar a farta porção de desejo do outro para devorar a nossa alma é uma delícia discreta e suarenta.
 Ecoa longe o grito da espera.
 Vem cá! 
Não me deixe passear nas belíssimas imagens do meu pensamento, tantas vezes confuso. 
A você acaba aprendendo que uma espera custa e não e só uma gorjeta. 
Uma espera custa todos os tostões economizados o ano inteiro para o bendito repouso da felicidade. 
Benditas esperas valiosas. Elas custam todas as impaciências do telefone tocar com o pedido de desculpa salvador.
 Custam os convites que nunca saíram da imaginação. 
Uma vontade estúpida de acordar sem saudade. 
Custam todas as interpretações dos sinais deixados, que você decifra como uma leve resposta para o coração amoroso. 
Custam enxergar indícios de que o romance iniciado no verão tem futuro.
O estado da espera é exatamente proporcional ao olhar piedoso, as lágrimas quase caindo, o andar mil vezes no quarteirão, atravessar o relógio com a visão insistente de águia. Visitar infinitas vezes as cartas, as lembranças, a caixa de fotos amareladas. 
O estado de espera é uma terapia caríssima e ávida para transformar razões desafortunadas em sonhos realizados. 
E para ultrapassar vitoriosa, vale tudo. 
Vale o drama, as unhas roídas, o suar do corpo, a ânsia noturna e o franzir do rosto. 
Faça tudo com as esperas. Faça drama, misérias, desforra com vinho barato, desistências, preces, legitimo protesto, xingamentos, desordem interior. 
A qualquer custa, faça um texto, um desabafo audível ao mundo, uma canção ou pelo menos uma resposta satisfatória. 
Tomara que o para sempre, espere o dia seguinte com notícias felizes, pagamento a prazo e sem reajuste. Sinceramente eu desejo que as esperas sejam superstições falidas das ausências.
Ita Portugal


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