domingo, 21 de junho de 2015

E daí você abre a porta do quarto e respira o cheiro dele. Respira o ar dele. 
Observa as cortinas abertas, a mesa de cabeceira desarrumada. 
O travesseiro sem a cabeça dele recostada. Daí você sente o calor subir na alma. 
Sente a dor tocando feito brisa matinal.
 Sente a falta. Sente a presença, sente o ar do sorriso dele. Olha o café. 
Olha a mesa com outro lugar vazio. 
Anda descalça pela casa para não fazer barulho para não assustar os pensamentos profundos. E daí você se lamenta e tenta dizer para si mesma que já passou, 
mesmo querendo que as coisas estivessem ali no mesmo eixo no mesmo lugar no mesmo hemisfério. Mas nada faz mais sentido quando o amor vai e esvai nos olhos. 
É dor que dói mesmo sem consentimento. E o tempo agora mudou os ventos, mudou a direção. Mudou o humor. 
Mudou a consistência dos dias. Tudo parece nevoa, tudo parece querer virar solidão.
 Nas mãos o toque no peito, para sentir a batida do vazio. 
E daí você descobre que agora é cada um por si e sem interferências. 
Sem inerência. Sem disponibilidade. É saudade. Da porta para dentro, da porta para fora.
 Por onde quer que ele agora esteja.

Sil Guidorizzi

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